27/01/2026

Homens de Verdade

“Eu vou pelo caminho de todos os mortais. Coragem, pois, e sê homem! Guarda os preceitos do Senhor, teu Deus, para andares nos seus caminhos...” (1Rs 2:2,3).

 

Em razão do dia do Homem Presbiteriano, homenageio a todos esses varões valorosos, trazendo à baila essa breve reflexão. Davi está fechando as cortinas da vida e passando o bastão para Salomão, seu filho e sucessor. Ele faz um reconhecimento inevitável e dá ordens expressas. Vejamos:

Em primeiro lugar, a vida tem prazo de validade. “Eu vou pelo caminho de todos os mortais...”. Davi está muito velho e doente aos setenta anos de idade (1Rs 1:15). A maior parte de sua vida foi marcada por grandes conflitos, seja nos campos de batalha, seja no recesso de seu lar. Cônscio de que a vida é breve e de que a morte é certa, considera-se um peregrino na estrada da morte. Saber que a vida tem prazo de validade e que precisamos nos preparar para o ocaso dela é sinal de sabedoria. Davi, inobstante, seus pecados, andou com Deus, amou a Deus e foi um homem segundo o coração de Deus. Agora, já velho e doente, mas no pleno vigor de sua alma, entende que sua hora se aproxima e está pronto para partir. A morte não é o fim da jornada, mas o portal de entrada da eternidade. Aqueles que são salvos pela graça, entram por esta porta, com confiança e nada temem.

Em segundo lugar, a vida exige coragem. “... coragem, pois...”. Salomão haveria de assumir o trono, e a governança exige atitudes firmes, posturas ousadas e destemor indisfarçado. Aquele que lidera não pode titubear nem se acovardar diante dos perigos. Jamais pode apequenar-se diante das crises. Nunca pode amedrontar-se diante do rosnado aleivoso dos inimigos. A vida requer coragem. Aquele que se assenta no trono, precisa ter firmeza para tomar decisões. Salomão, começa o seu governo reconhecendo suas intransponíveis limitações. Então, suplica a Deus sabedoria para governar o povo. Deus lhe concede não apenas singular sabedoria, mas, também, riqueza colossal. Salomão teve pulso para lidar com os adversários do reino e sabedoria para alargar as fronteiras de seu governo. Ultrapassou a todos os seus contemporâneos em sabedoria e ajuntou riquezas como qualquer outro antes dele ou depois dele. Hoje, mais do que nunca, precisamos de homens de coragem. Coragem para viver e morrer. Coragem para agir e reagir. Coragem para se inconformar como mal e fazer o bem.

Em terceiro lugar, a vida requer hombridade. “... e sê homem!”. A hombridade requerida aqui não é valentia carnal, mas domínio próprio. Ser homem não é ter músculos tonificados, mas um caráter impoluto. Não é se vestir regiamente, mas ser adornado pela humildade. Ser homem não é cobrir-se com a armadura do machismo, mas adornar-se com o manto da bondade. O trono de Israel não deveria ser ocupado por um príncipe mimado ou por um jovem soberbo, tampouco por um homem desqualificado, mas por um homem de verdade, por um homem aprovado por Deus e reconhecido pelos homens. Ser homem não é ser governado por um ego inflado de arrogância, mas guardar os preceitos do Senhor e andar nos seus caminhos. A grandeza de um homem não está na sua autossuficiência, mas na sua dependência de Deus. A estatura de um homem não se mede pela robustez de sua força nem pela profundidade de seu conhecimento, tampouco pela vastidão de suas posses, mas pela sua disposição de guardar os preceitos do Senhor. Obediência a Deus é a coroa mais reluzente de um monarca. 

Que os homens presbiterianos, sejam homens de verdade: homens humildes e corajosos; homens santos e piedosos; homens íntegros e trabalhadores; homens segundo o coração de Deus.

Rev. Hernandes Dias Lopes