02/02/2026

A Consagração do Sacerdote

A CONSAGRAÇÃO DO SACERDOTE

Deus escolheu Arão e seus filhos para o exercício do sacerdócio em Israel (Êx 28:1). A escolha é soberana, o chamado é eficaz. O sacerdócio não foi uma escolha humana, mas divina. Não foi uma indicação de Moisés, mas uma decisão monergística de Deus. É Deus quem nos escolhe e não nós a ele. Os sacerdotes eram homens separados por Deus, para o exercício de um ministério santo. O sacerdote tanto representava Deus diante dos homens, como representava os homens diante de Deus. Tanto trazia a palavra de Deus ao povo, quanto intercedia pelo povo junto a Deus.

Os sacerdotes tinham roupas especiais. A indumentária deles apontava para a excelência e a santidade do trabalho que realizavam, ao mesmo tempo que descrevia as marcas do próprio caráter impoluto de Cristo e seu ministério de Mediador da Nova Aliança. Fazia parte da consagração dos sacerdócios a aplicação de sangue sobre a ponta da orelha direita, do polegar da mão direita e sobre o polegar do pé direito (Êx 29:20). Destaquemos, agora, esses três aspectos da consagração.

Em primeiro lugar, a aplicação do sangue na ponta da orelha direita (Êx 29:20). Esse ritual destaca que o sacerdote precisa consagrar seus ouvidos a Deus. Ele não pode emprestar seus ouvidos para ouvir o que é profano, indigno e impuro. Aquilo que entra pelos ouvidos, se aloja no coração e contamina a alma. Aquilo que ouvimos reverbera em nossos sentimentos e influencia o nosso comportamento. O que ouvimos determina, em grande parte, o que falamos. Precisamos nos acautelar com o que entra pelos nossos ouvidos. Nossa consagração a Deus e nossa santificação passam por aquilo que ouvimos. Devemos tapar nossos ouvidos a quaisquer blasfêmias contra Deus e contra o próximo. Não devemos ter disposição de ouvir piadas indecentes, palavras maliciosas, críticas desairosas e maledicências desarrazoadas. Nossos ouvidos precisam ser consagrados ao Senhor.  

Em segundo lugar, a aplicação do sangue no polegar da mão direita (Êx 29:20). O polegar da mão direita aponta para aquilo que fazemos. Nossas mãos precisam ser consagradas a Deus. Não podemos fazer o mal, antes, devemos praticar o bem. Nossas mãos não podem ser apressadas para fazer o que entristece o Espírito Santo, antes devemos fazer o que agrada o coração de Deus. Nossas mãos não devem ser acionadas para intentar contra o próximo, antes devemos abrir nossas mãos para fazermos o bem a todos. Em vez de retribuir o mal com o mal, devemos vencer o mal com golpes de bondade. Em vez de pesar a mão para vingar-nos a nós mesmos, devemos abrir as mãos para pagar o mal com bem. Nossas mãos precisam ser operosas para fazer toda a vontade de Deus, fazendo aos homens o que gostaríamos que eles nos fizessem. O sacerdote não pode ouvir o que é imundo nem suas mãos podem estar a serviço do que é iníquo. Aqueles que lançam a mão para fazer violência, atentando contra a vida do próximo estão sob o justo juízo divino. Aqueles que usam suas mãos para, furtivamente ou explicitamente, surrupiar os bens alheios estão sob a justa condenação divina. Que nossas mãos sejam consagradas ao Senhor!

Em terceiro lugar, a aplicação do sangue no polegar do pé direito (Êx 29:20). O sacerdote precisa ter cuidado quanto ao ouve, com respeito ao faz e por onde anda. Seus pés não podem andar por veredas sinuosas. A jornada do sacerdote precisa ser santa. Ele não pode andar no conselho dos ímpios, nem se deter no caminho dos pecadores, tampouco se assentar na roda dos escarnecedores. O caminho do sacerdote precisa ser cheio de luz. Seus pés não podem se resvalar para os redutos ensombrecidos do pecado. Ele precisa viver em novidade de vida. Precisa ser santo em todo o seu proceder. Há lugares que ele deve evitar, compromissos que não deve fazer, amizades das quais deve se abster. Seus pés não devem se apressar para o mal, antes devem percorrer as veredas da justiça.

Rev. Hernandes Dias Lopes